Barreiras do mundo digital para os advogados brasileiros

JUDICIÁRIO

Quem nunca pensou em trabalhar da praia ou viajar o mundo sem ter de abandonar a profissão? Esta realidade está mais próxima do que muitos profissionais de Advocacia imaginam. O tema é de tanta importância que foi tratado no evento Especial de Direito da Tecnologia e Informação durante a XXIII Conferência Nacional da Advocacia Brasileira, que ocorreu em São Paulo no mês de Novembro.

Sem dúvida, muito além do deslumbramento por novidades, digitais ou não, o que motiva um advogado a olhar com extrema atenção para as criações tecnológicas é a verdadeira transformação que elas estão habilitadas a causar nos escritórios e nos profissionais que lá atuam. Então, quando falamos de nomadismo digital estamos nos referindo, logicamente, às tecnologias que estão disponíveis no mercado que possibilitam o trabalho feito a distância.

Inclusive, já existem empresas jurídicas que funcionam exclusivamente a distância, tudo porque hoje em dia com um notebook, smartphone ou tablet você pode advogar em qualquer lugar, a qualquer momento. Seja no escritório, no esquema home office, em um hotel ou em residências alugadas.

Mas nem tudo são flores neste cenário, como explicou a presidente da Comissão de Tecnologia da Informação da Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal – OAB/DF, Hellen Falcão de Carvalho, durante a palestra “O Futuro do Processo Judicial Eletrônico”, ministrada por Maximiliano Pereira de Carvalho e Bráulio Gabriel Gusmão, ambos do Tribunal Regional do Trabalho – TRT. Em sua visão, o sistema de peticionamento eletrônico deve ser um facilitador e não uma ferramenta eliminatória para os advogados. “Por exemplo, não há no Judiciário brasileiro uma preservação do documento digital”, explicou a presidente da mesa da palestra.

Outro entrave é o apartheid digital: as pessoas com necessidades especiais estão afastadas da Justiça digital, pois, na prática, os sites dos tribunais não foram pensados para elas.

Além disso, os Tribunais Superiores têm se destacado no quesito tramitação dos autos em formato digital, porém os demais tribunais não estão no mesmo caminho: infelizmente, a redução do custo de papel e do volume de folhas não tem data para acabar. E olha que são inúmeras as vantagens do Processo Judicial Eletrônico – PJe tanto para o Estado quanto para os advogados, de forma geral, e a sociedade, é claro. A desmaterialização de uma ação jurídica pode trazer inúmeros benefícios e com certeza mudará a estrutura do modelo de negócios jurídicos como um todo.

Em resumo, o pensamento unanime do painel foi: “Portanto, são muitas as barreiras [ainda] para os advogados quando o assunto é digitalização do processo. Vamos torcer [e trabalhar] para que, o quanto antes, as páginas de uma ação se transformem em megabytes, já que, em um mundo tão ágil e em uma rotina sempre tão intensa quanto a da advocacia não podemos abrir mão da mobilidade, mesmo que seu objetivo não seja se transformar em um nômade digital, afinal já existem ferramentas de excelente qualidade para um trabalho remoto.”

Para você, advogado(a), qual é a maior barreira digital que você vem enfrentando no dia a dia? Comente no post do Facebook.

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